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A síndrome do grampo sem áudio

rafinha video choro Resposta a Rafinha Bastos


Por Mônica de Souza

Antes de mais nada, já que o pessoal aqui da BECOOL se enche porque eu uso esse blog pra escrever o que penso decidi usar pra isso um tumblr. Vai ser um espaço pessoal meu pra divulgar essas tosqueiras que eu escrevo. Vou fazer também um Twitter e vou tentar ajudar a revista a ter mais seguidores. Enquanto ele não vem, vou continuar postando aqui.

Então, vamos lá.

Não simpatizo com Rafinha Bastos. Não deixo nunca de me lembrar de uma frase de Chico Anysio registrada pela ótima jornalista Rosane Pavam: "O humor tem que buscar à crítica, à sátira. Ele vai ser engraçado onde puder". Não é o que os humoristas de hoje fazem, mas também não quero censurar o pobre Rafinha. Ele fala suas asneiras, eu retruco, ele dá sua réplica, eu dou minha tréplica, assim por diante  e enquanto não nos agredirmos fisicamente estamos dentro do limite democrático. Não é o caso de se preocupar com isso.

No entanto, eu quero mesmo é falar sobre a síndrome de grampo sem áudio (*) que tomou conta da imprensa - especialmente após a ascensão do jornalismo de escândalos. Vou registrar apenas o caso Fabíola-Rafinha e o porque da obsessão da mídia por este tipo de matéria. Sobre o jornalismo de escândalos, este tema será assunto da TELEZINE de março.

Fabíola Reipert, blogueira necessitada de atenção, postou em seu blog no R7 que um humorista (ela não diz quem é) casado, pai de família e que se diz hétero foi flagrado em um vídeo de sexo gay que está em poder dela (e apenas dela). O vídeo pode ser sobre outro humorista? Pode ser sobre ninguém - e falaremos disso mais adiante. O escândalo, no entanto, respingou em Rafinha.

Este foi para a Internet e deu sua resposta. Começa fazendo de conta que fala sério, indignado com a postagem do blog. De repente, surge um sempre excelente José de Abreu, reclamando que esperava o humorista na cama. É engraçadíssimo e pode ser assistido aqui.

Fabíola respondeu de novo tentando causar: disse que se ele vestir a carapuça o problema é dele. A carapuça, no entanto, foi colocada pelo terreno da suposição. E nela cabem quase todos os humoristas do país. Isso se chama tirar o corpo fora.

Alberto Dines foi o primeiro - ou um dos, corrijam-me depois - a chamar a atenção da crítica ao "jornalismo fiteiro", o jornalismo que vive das fitas e passa seu conteúdo, sem ao menos um simulacro de apuração jornalística, como fato. Dines percebia o avanço deste jornalismo (?) na chamada hard news (política, economia e a grande reportagem), mas ele avança com força sobre a soft news (fofocas, colunas sociais, esportes e similares). A busca constante pelo escândalo tornou irreversível este processo de consolidação do "jornalismo fiteiro".

Com um agravante: a ocultação de detalhes do conteúdo das fitas. Fica no disse-que-disse sobre o conteúdo da fita e nada se prova. Nem a existência da própria fita. Este é o jornalismo do grampo sem áudio (*). Graças a ele, pessoas íntegras caíram e reputações foram destruídas.

É um universo perigoso, pois o jornalista passa a agir como chantagista. Começa a contar alguns detalhes, depois ameaça contar outros (mas fica só na ameaça) e o resto fica por conta da imaginação do público. Fabíola faz isso ao não dizer quem é o humorista que aparece no vídeo. Ela se protege contra processos judiciais e ainda faz burburinho na rede, deixando os leitores cada vez mais curiosos sobre os detalhes do escândalo que nunca se provará.

Rafinha fez o que pôde para salvar o que sobrou de sua reputação, os impactos virão mais adiante. Fabíola continua sendo sinônimo de notícias falsas. E agora também de pseudojornalista de esgoto. Quem publica grampos sem áudio (*) costuma cair do cavalo na batalha da opinião pública.

(*) Grampo sem áudio é a forma como Paulo Henrique Amorim se refere aos grampos "obtidos com exclusividade" pela revista Veja que resultaram na demissão do delegado Protógenes Queiroz e do então Diretor Geral da PF Paulo Lacerda. Os grampos teriam sido feitos pela espionagem da Abin, mas nunca foram apresentados ao público. A história dos grampos, segundo Nassif, é "uma maluquice que apenas prospera devido à falta de discernimento".

Em tempo: Gostaria de prestar solidariedade a Lino Bocchini no julgamento Folha x Falha. Espero que neste caso a liberdade de expressão vença.

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